DIa do meio ambiente e a questão da diversidade

Hoje dia 05 de Junho comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente e a pauta mais importante que precisamos refletir é sobre a diversidade humana. Mais uma vez se escancara a intolerância e o racismo em nossa sociedade. E o que a sustentabilidade tem a ver?


A Agenda 2030 das Nações Unidas contempla na sua visão de sustentabilidade um tripé que é pautado pelos temas ambientais, econômicos e sociais. Não podemos mais falar em sustentabilidade somente pelo olhar ambiental e econômico sem debater questões sociais urgentes. Acreditamos que algo semelhante à sustentabilidade social deve se pautar pela empatia, respeito, colaboratividade, igualdade de gênero, zerar a desigualdade social, financeira, educacional e principalmente dar um basta ao racismo.


A diversidade é algo natural e extremamente importante na natureza. Se observarmos uma floresta, a diversidade pulsa dentro dela: diferentes espécies e tipos de plantas, animais, ciclos naturais, etc. E é essa diversidade que traz o equilíbrio para a floresta.


Chegou a hora de vivermos essa igualdade e respeito na prática e não somente na idealização.


Para refletir um pouco sobre o movimento atual e a importância dele para a sustentabilidade verdadeira, convidamos a geógrafa e pesquisadora Vitória Barbosa Ferreira para nos ensinar mais sobre o tema e mostrar formas de fazer a diferença.


Vitória Barbosa ferreira é Técnica em Meio Ambiente pela ETEC Guaracy Silveira e bacharela em Geografia pela Universidade de São Paulo. Atua no ramo de geoprocessamento, com ênfase em estudos ambientais e tem interesse acadêmico/profissional na área de conservação de florestas. Inquieta e fã de debates.


Quem tem medo de discutir sobre o racismo estrutural?


Texto por Vitória Barbosa Ferreira.


Nas últimas semanas temos acompanhado diversas manifestações contra o racismo estrutural, sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil. Tais movimentos surgem no seio de sociedades profundamente desiguais, que embora apresentem processos históricos distintos, têm em comum a escravidão sobre a qual esses países foram forjados. Resquícios da violência presente na formação desses Estados permanecem asfixiando a população negra, em uma constante tentativa de apagar a nossa existência.


No Brasil, uma das principais características do racismo estrutural é a negação do processo discriminatório em curso. Somos todos iguais, mas é o filho do negro que morre com um tiro de fuzil nas costas dentro de casa ou o filho da empregada doméstica que morre enquanto a patroa faz as unhas. São os nossos jovens negros que morrem nas mãos da polícia todos os dias. Também os nossos políticos negros, que morrem na mão da milícia. É evidente que o joelho nunca saiu do nosso pescoço. Como disse recentemente Silvio de Almeida em entrevista ao NEXO Jornal: “o racismo sufoca, nos tira o direito de respirar”.


Compartilhemos conteúdos que vão além de um mero post com uma imagem preta, sem reflexão, portanto pobre de significado. Divulguemos a luta, a história, o trabalho e a ciência produzida por pretos e pretas! Fora da internet, contrate pessoas negras, compre de negócios de negros e negras, informe-se mais sobre a questão e posicione-se sempre contra atitudes racistas. Não aceitemos mortes de pessoas negras nas mãos de Estados e elites racistas. A luta antiracista se faz todos os dias. É preciso justiça.


Tendo em vista a coincidência das insurgências antiracistas dentro e fora da internet com a semana do Meio Ambiente, gostaria de compartilhar e falar um pouco sobre cientistas negras, com atuação na área ambiental, na física e na saúde pública, que me inspiram pela sua história e pela sua contribuição na produção do conhecimento. Como aspirante a cientista, avisto nessas mulheres exemplos formidáveis a serem seguidos.

Porque sim, representatividade importa.

Profa. Dra. Sônia Guimarães


Formada em Licenciatura em Ciências pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Guimarães cursou mestrado em Física Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado (Phd) em Materiais Eletrônicos pela University of Manchester - Institute of Science and Technology (Inglaterra). Ao concluir seu Phd em 1989, Sônia se tornou a primeira mulher negra brasileira a ter um título de doutorado em Física no país. Em 1993, tornou-se a primeira mulher negra a lecionar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em uma época em que não era permitido às mulheres estudar no ITA (somente em 1996 duas mulheres ingressaram nessa instituição como alunas). Sônia também é uma das fundadoras da Faculdade Zumbi dos Palmares e da Federação das Religiões Afro-Brasileiras (Afrobras).


TED apresentado por ela: “Educação é a única solução”: Educação é a única solução | Sonia Guimarães | TEDxJardinsWomen


Referências:

Sônia Guimarães | GPET Física

Sonia Guimarães



Dra Vanderli Custódio


Formada em Geografia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade de São Paulo (USP), Custódio possui mestrado (1994) e doutorado (2002) em Geografia Humana pela mesma instituição. Trabalhou como professora assistente doutora do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, onde se aposentou em dezembro de 2018. Seu trabalho tem ênfase na urbanização brasileira, saneamento básico e abastecimento hídrico, sobretudo na Região Metropolitana de São Paulo. Sua pesquisa traz excelentes contribuições para pensar como a urbanização brasileira, que privilegia interesses imobiliários e do mercado financeiro, atuou no sentido contrário à preservação dos recursos hídricos. Custódio é uma dos 2,2% dos professores da Universidade de São Paulo que se autodeclaram pretos ou pardos (Jornal da USP, nov/2018).


Artigo sobre a crise hídrica na região metropolitana de São Paulo :A Crise Hídrica na Região Metropolitana de São Paulo (2014-2015) | GEOUSP Espaço e Tempo (Online).


Seminário apresentado pela Dra Vanderli no evento "Hidronegócio para onde vai a água em uma crise construída?": [11] Vanderli Custódio: A apropriação dos recursos hídricos e o abastecimento de água na RMSP


Referências:

2,2% dos professores da USP se autodeclaram pretos ou pardos

Vanderli Custódio





Dra Jaqueline Góes de Jesus


Formada em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, a Dra Jaqueline Góes de Jesus é mestre em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa pelo Instituto de Pesquisas Gonçalo Moniz - Fundação Oswaldo Cruz (IGM-FIOCRUZ) e doutora em Patologia Humana e Experimental pela Universidade Federal da Bahia. Jaqueline desenvolve pesquisas sobre arboviroses emergentes (doenças causadas por arbovírus, que incluem o vírus da dengue, Zika vírus, febre chikungunya e febre amarela). Ela integra o ZIBRA (Zika in Brazil Real Time Analisys), um projeto formado por diversos pesquisadores, brasileiros e estrangeiros de mapeamento genômico do Zika vírus no Brasil. Atualmente, De Jesus é pós-doutoranda no Instituto de Medicina Tropical de São Paulo - Universidade de São Paulo (IMT-USP), onde recentemente coordenou, juntamente com Éster Cerdeira Sabino a equipe que sequenciou o coronavírus no Brasil em tempo recorde. O vírus foi sequenciado em apenas 48 horas enquanto a média mundial é de 15 dias (o sequenciamento do vírus nos ajuda a entender a dispersão do vírus no país, mutações que possam alterar a evolução da doença e auxilia no desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos)!


Aqui a Dra Jaqueline Góes de Jesus fala um pouco sobre o seu trabalho: https://olhardigital.com.br/coronavirus/noticia/dia-da-mulher-jaqueline-goes-de-jesus-especialista-em-virus/97723


Referências:

Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4425347E5

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